É estranho - que haja quem estranhe a emigração. Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país caótico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa da Europa - citam-se, a par, a Grécia e Portugal. Nós porém, não possuímos como a Grécia, além de uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal, e o museu humano de beleza da Arte.

Eça de Queirós "As Farpas" - Janeiro 1872
 

"A nossa vida baseia-se, hoje mais do que nunca, em melhorias nascidas da aplicação da ciência. A abundância promete uma sociedade de delícias para todos. As nossas esperanças são hoje tão elevadas como as dos idealistas da URSS. Mas os perigos são quase palpáveis.[...]
A ciência pretende apenas melhorar a nossa vida e conseguir a maior justiça, progresso e felicidade para todos. Mas esquece a dignidade da pessoa humana, atropelada na ânsia de mais vitórias científicas. No Ocidente democrático, como na URSS comunista, isso significa desastre.

"A derrota da ciência" - Prof. João César das Neves
 

"Fui para o aeroporto [no Quirguistão] e sou confrontado com a má notícia de que os voos para Moscovo estavam cheios durante várias semanas. Os meus amigos locais explicaram-me que os custos das viagens, por causa da política do preço do petróleo, eram tão irrisórios que compensava as pessoas irem de manhã, com galinhas e alguns sacos de legumes para vender na praça de Moscovo, muito desprovida por causa das recentes alterações políticas, regressando à noite. A única hipótese que eu tinha de entrar num avião era comprando essa mercadoria. Foi o que fiz: comprei a um dos passageiros cinco galinhas e dois sacos de cenouras e fui no seu lugar."

Entrevista a Miguel Gonçalves Pereira na Pública de 02.12.2001
 
“Se Le Pen for eleito, quero que obrigue os outros partidos a esconderem-se, como nós hoje. A FN [Frente Nacional] tem jornais e semanários que nunca são citados nas revistas de imprensa. Então, quero que obrigue os ‘media’ a calarem-se.”

Carteiro francês apoiante de Le Pen, dias antes das presidenciais francesas de 2002

 

“No passado, veja-se a evolução da forma como, nas primeiras décadas do séc. XX, a imprensa europeia, e nomeadamente a portuguesa, abordou os totalitarismos então emergentes: numa primeira fase, começa-se por excluir, seja pessoas, seja ideologias. Em seguida, e na impossibilidade de se continuar a ignorar o que é suposto não existir, subestima-se, ridiculariza-se e diaboliza-se. Por fim, a terceira e não menos perigosa fase: acaba-se a reconhecer que afinal não era bem assim e que até antes pelo contrário..."

Helena Matos, Público de 11.05.2002

“ (...) os mesmos jornalistas que arriscam a vida para conseguir um depoimento credível nos mais remotos e arriscados lugares do mundo fazem uma espécie de “delete” aos problemas que eles acham que não devem existir – como a insegurança gerada pelos imigrantes –, para se concentrarem nos problemas que a sua geração aprendeu que devem ser denunciados como a discriminação das minorias, sejam elas sexuais, religiosas ou étnicas.
Helena Matos, Público de 11.05.2002
 

"Nestes dias em que nós, judeus, acabámos de celebrar o Yom Kipur, o Dia do Perdão, o Talmud lembra-nos que os erros, ofensas ou crimes cometidos contra outros só pelo próprio autor podem ser reparados, só pela vítima podem ser perdoados. Por outras palavras, o homem permanece o centro e a referência do bem e do mal, sujeito pleno da sua história. Não há salvadores supremos. Apenas o homem face ao imenso peso da liberdade."

Esther Mucznik, a propósito da criação do Estado de Israel, na Revista Seara Nova, n.º 76 - Abril a Junho de 2002