O Geomarketing Político: uma nova forma de fazer política
Abril 2005
Cláudia Costa
Géografa
 

Em cada nova campanha política as acções preconizadas, no âmbito destas, são mais incisivas nos eleitores chave. Para tal tem contribuído, em parte, o Geomarketing Político, com apoio de ferramentas de Sistemas de Informação Geográfica (SIG).
Uma das primeiras campanhas que utilizou os SIG como suporte à mesma foi a eleição de Bill Clinton nos Estados Unidos em 1992. Em Portugal, a primeira foi a do Dr. Pedro Santana Lopes para a Câmara Municipal de Lisboa em 2001. Ambos foram casos de sucesso pelo que se pode afirmar que esta caminhada conjunta das ciências políticas com a geografia é proveitosa.
Não quero com isto afirmar que o Geomarketing Político é a “galinha dos ovos de ouro” para um partido ganhar uma campanha eleitoral. Este é somente mais um instrumento ao serviço desta e que pode levar à mudança do modus operandis das campanhas, aumentando o rigor da informação veinculada.
Mas afinal como é que o Geomarketing Político se enquadra no seio de uma campanha política?
Como é do conhecimento geral, as propostas de cada partido têm de ser suficientemente generalistas para serem pertinentes, ao mesmo tempo que têm de responder às aspirações de cada indivíduo. Deste modo, o processo eleitoral surge dependente de um conhecimento da matriz territorial, nas suas diferentes combinações multi-dimensionais, e a uma escala variável de acordo com as unidades geográficas em que se organiza cada acto eleitoral.
A necessidade de compatibilizar, organizar e, acima de tudo, disponibilizar em tempo real elevados volumes de informação, provenientes de inúmeras fontes, formais ou não, leva a que a utilização dos SIG seja vista como uma ferramenta de elevado valor em contextos eleitorais.
O Geomarketing Político surge da necessidade de inovar e de fazer a diferença no âmbito de uma campanha política. De facto, com o apoio de ferramentas SIG é possível direccionar a campanha política numa opção estratégica assente na opção pela quantificação dos problemas do espaço, em vez da sua simples empolação; pela escolha da demonstração, ao invés de especulação; pelo pensar do território num todo olhando para problemas individualizados, pois estes são claramente localizados, quantificáveis e, acima de tudo, demonstráveis.
No caso da campanha do Dr. Pedro Santana Lopes, as linhas de acção estabelecidas foram a inventariação dos problemas e prioridades do Município de Lisboa, o direccionamento da publicidade, a optimização das rotas de passagem dos meios de campanha, a análise das tendências políticas, as análises socio-económicas e a integração de estudos de opinião.
Nas próximas eleições autárquicas, os profissionais que irão gerir as várias campanhas poderão não só ter em conta as linhas de acção acima mencionadas, como poderão ir mais além, através da utilização de uma nova aplicação informática - criada pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) para apoio à campanha de apelo ao voto - através da qual é possível obter todos os resultados eleitorais desde 1974.
De facto esta aplicação constitui um meio de visualizar os resultados eleitorais e de efectuar análises, de forma fácil e expedita, sobre a evolução da votação de uma ou mais forças políticas, ao longo de um período definido pelo próprio utilizador, sendo também possível fazer pesquisas tendo em conta dados geográficos. Deste modo, no espaço de segundos é possível cruzar os micro-problemas dos eleitores, o perfil sócio-económico dos mesmos e os resultados eleitorais, obtendo uma análise pormenorizada da população e, principalmente, dos eleitores chave.
Em conclusão, o Geomarketing Político, funcionando como ferramenta integradora que utiliza os conceitos geográficos como denominador comum às diversas análises e acções realizadas no âmbito de uma campanha eleitoral, é indispensável no Marketing Político.
A campanha eleitoral para as autarquias locais é um dos processos mais territorializados na nossa sociedade – nas acções, nas motivações e nos objectivos – pelo que a Geografia vem dar um contributo determinante. As eleições autárquicas são, assim, um campo de aplicação privilegiado para o Geomarketing Político, no qual este não se extingue.
O final do ano trazer-nos-á, com certeza, novos casos de sucesso!

 

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