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Em
cada nova campanha política as acções preconizadas,
no âmbito destas, são mais incisivas nos eleitores chave.
Para tal tem contribuído, em parte, o Geomarketing Político,
com apoio de ferramentas de Sistemas de Informação Geográfica
(SIG).
Uma das primeiras campanhas que utilizou os SIG como suporte à
mesma foi a eleição de Bill Clinton nos Estados Unidos em
1992. Em Portugal, a primeira foi a do Dr. Pedro Santana Lopes para a
Câmara Municipal de Lisboa em 2001. Ambos foram casos de sucesso
pelo que se pode afirmar que esta caminhada conjunta das ciências
políticas com a geografia é proveitosa.
Não quero com isto afirmar que o Geomarketing Político é
a “galinha dos ovos de ouro” para um partido ganhar uma campanha
eleitoral. Este é somente mais um instrumento ao serviço
desta e que pode levar à mudança do modus operandis das
campanhas, aumentando o rigor da informação veinculada.
Mas afinal como é que o Geomarketing Político se enquadra
no seio de uma campanha política?
Como é do conhecimento geral, as propostas de cada partido têm
de ser suficientemente generalistas para serem pertinentes, ao mesmo tempo
que têm de responder às aspirações de cada
indivíduo. Deste modo, o processo eleitoral surge dependente de
um conhecimento da matriz territorial, nas suas diferentes combinações
multi-dimensionais, e a uma escala variável de acordo com as unidades
geográficas em que se organiza cada acto eleitoral.
A necessidade de compatibilizar, organizar e, acima de tudo, disponibilizar
em tempo real elevados volumes de informação, provenientes
de inúmeras fontes, formais ou não, leva a que a utilização
dos SIG seja vista como uma ferramenta de elevado valor em contextos eleitorais.
O Geomarketing Político surge da necessidade de inovar e de fazer
a diferença no âmbito de uma campanha política. De
facto, com o apoio de ferramentas SIG é possível direccionar
a campanha política numa opção estratégica
assente na opção pela quantificação dos problemas
do espaço, em vez da sua simples empolação; pela
escolha da demonstração, ao invés de especulação;
pelo pensar do território num todo olhando para problemas individualizados,
pois estes são claramente localizados, quantificáveis e,
acima de tudo, demonstráveis.
No caso da campanha do Dr. Pedro Santana Lopes, as linhas de acção
estabelecidas foram a inventariação dos problemas e prioridades
do Município de Lisboa, o direccionamento da publicidade, a optimização
das rotas de passagem dos meios de campanha, a análise das tendências
políticas, as análises socio-económicas e a integração
de estudos de opinião.
Nas próximas eleições autárquicas, os profissionais
que irão gerir as várias campanhas poderão não
só ter em conta as linhas de acção acima mencionadas,
como poderão ir mais além, através da utilização
de uma nova aplicação informática - criada pela Comissão
Nacional de Eleições (CNE) para apoio à campanha
de apelo ao voto - através da qual é possível obter
todos os resultados eleitorais desde 1974.
De facto esta aplicação constitui um meio de visualizar
os resultados eleitorais e de efectuar análises, de forma fácil
e expedita, sobre a evolução da votação de
uma ou mais forças políticas, ao longo de um período
definido pelo próprio utilizador, sendo também possível
fazer pesquisas tendo em conta dados geográficos. Deste modo, no
espaço de segundos é possível cruzar os micro-problemas
dos eleitores, o perfil sócio-económico dos mesmos e os
resultados eleitorais, obtendo uma análise pormenorizada da população
e, principalmente, dos eleitores chave.
Em conclusão, o Geomarketing Político, funcionando como
ferramenta integradora que utiliza os conceitos geográficos como
denominador comum às diversas análises e acções
realizadas no âmbito de uma campanha eleitoral, é indispensável
no Marketing Político.
A campanha eleitoral para as autarquias locais é um dos processos
mais territorializados na nossa sociedade – nas acções,
nas motivações e nos objectivos – pelo que a Geografia
vem dar um contributo determinante. As eleições autárquicas
são, assim, um campo de aplicação privilegiado para
o Geomarketing Político, no qual este não se extingue.
O final do ano trazer-nos-á, com certeza, novos casos de sucesso!
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