Caracterizada
pela ausência de contenciosos, as relações sino-brasileiras
ganham atualmente destaque no cenário internacional por ocasião
da Missão Brasileira à China e as conseqüências
que esta ação representa.
A começar pelos números,
esta missão ganhou status histórico por ser a maior comitiva
a acompanhar um presidente brasileiro em uma viagem internacional - composta
por aproximadamente 550 empresas dos mais diversos setores.
A saber, os setores são, infraestrutura, aeroespacial, agronegócio,
bens de consumo, turismo, serviços, educação ciência
e tecnologia, e máquinas equipamentos e ferramentas.
O evento realizado no Beijing
Internacional Hotel, contou com cerimônia de apresentação
do panorama conjuntural, proferido por ministros de ambos países
dos principais setores de interesse, no seminário intitulado “Brasil-China:
Comércio e Investimentos”.
Dando continuidade a programação,
e momento de grande expectativa para a platéia presente, Lula pronunciou
com eloqüência a importância por solidificar os alicerces
da parceria estratégica Sul-Sul.
Na mesma ocasião houve a celebração em decorrência
da conquista que empresas brasileiras desempenharam em território
chinês, seja em virtude dos negócios realizados, por acordos
firmados ou ainda por iniciativas de inserção no mercado
chinês.
Empresas como a Comexport, Cosipar, Vale do Rio Doce e Café Cacique
comemoraram os bons desempenhos comerciais, enquanto a BM&F e a Petrobrás
celebram a instalação de escritórios na China, respectivamente
em Shanghai e Beijing.
Os acordos não se limitam
apenas ao âmbito comercial. Cooperações no âmbito
cultural, como a inauguração da exibição sobre
a Amazônia em Tian’anmen, acordo de turismo facilitando o
trâmite entre as fronteiras, intercâmbio cultural firmado
entre universidades fomentando oportunidades que ultrapassam o aprendizado
da língua, possibilitando contato direto com a cultura local, integraram
a pauta das iniciativas de maior aproximação sino-brasileiro
entre outras tantas vertentes.
A relevância desta comitiva
ultrapassa os resultados exitosos mencionados acima ou as intenções
a serem postas em prática. A junção de forças
dos dois maiores países em desenvolvimento do mundo gera incômodos
pela ameaça que causam em relação a não adesão
ou não cumprimento de iniciativas já em percurso, vide Alca,
assim como aquelas a serem ainda apresentadas.
Para ilustrar a temerosidade em relação ao estreitamento
das alianças entre Brasil-China, foi anunciado pelo porta-voz da
chancelaria chinesa, Liu Jianchao, que "a China considera o Brasil
o país em desenvolvimento maior e mais importante do Hemisfério
Ocidental e apóia um maior papel do Brasil nos organismos internacionais,
incluindo o Conselho de Segurança".
Esse apoio para o ocidente
em relação especificamente ao Brasil, parece estar incrustado
há tempos na concepção dos chineses. Coincidência
ou não, uma das possíveis traduções de ??Baxi
(Brasil em chinês, aqui na China adota-se sons similares ao nome
da palavra a ser traduzida de modo que torne viável a pronúncia,
lembrando a dificuldade enfrentada pelos chineses na reprodução
do som “r” ) é justamente Olhar para o Ocidente.
É chegada a hora de
ampliar esta visão e assim como os chineses, olhar, no caso para
o Oriente de maneira mais próxima e menos mística. A China
assim como qualquer outro país apresenta diferenças culturais.
É preciso que se supere o mais rapidamente possível essa
visão misteriosa e o temor ainda presente, adotando iniciativas
empreendedoras e elevando substancialmente o desempenho das exportações
brasileiras – ainda na casa dos 4 %.
Há 114 anos, Joaquim
Osório Duque Estrada deixou para a posteridade hino que até
hoje parece não ter sido completamente assimilado pela grande maioria
dos brasileiros, analisando apenas um dos espectros da atuação
brasileira e frente a concatenação do imenso potencial a
partir do estreitamento da aliança Sul-Sul, é necessário
ter em mente que o Brasil é:
“Gigante pela própria
natureza, és belo, és forte, impávido colosso e o
teu futuro espelha essa grandeza”.
|