Missão Brasileira na China: momento ímpar para a aproximação sul-sul
De Pequim
Fernanda Ramone
Bacharel em Relações Internacionais
Pesquisadora da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China
Fernanda_ramone@yahoo.com.br
 

Caracterizada pela ausência de contenciosos, as relações sino-brasileiras ganham atualmente destaque no cenário internacional por ocasião da Missão Brasileira à China e as conseqüências que esta ação representa.

A começar pelos números, esta missão ganhou status histórico por ser a maior comitiva a acompanhar um presidente brasileiro em uma viagem internacional - composta por aproximadamente 550 empresas dos mais diversos setores.
A saber, os setores são, infraestrutura, aeroespacial, agronegócio, bens de consumo, turismo, serviços, educação ciência e tecnologia, e máquinas equipamentos e ferramentas.

O evento realizado no Beijing Internacional Hotel, contou com cerimônia de apresentação do panorama conjuntural, proferido por ministros de ambos países dos principais setores de interesse, no seminário intitulado “Brasil-China: Comércio e Investimentos”.

Dando continuidade a programação, e momento de grande expectativa para a platéia presente, Lula pronunciou com eloqüência a importância por solidificar os alicerces da parceria estratégica Sul-Sul.
Na mesma ocasião houve a celebração em decorrência da conquista que empresas brasileiras desempenharam em território chinês, seja em virtude dos negócios realizados, por acordos firmados ou ainda por iniciativas de inserção no mercado chinês.
Empresas como a Comexport, Cosipar, Vale do Rio Doce e Café Cacique comemoraram os bons desempenhos comerciais, enquanto a BM&F e a Petrobrás celebram a instalação de escritórios na China, respectivamente em Shanghai e Beijing.

Os acordos não se limitam apenas ao âmbito comercial. Cooperações no âmbito cultural, como a inauguração da exibição sobre a Amazônia em Tian’anmen, acordo de turismo facilitando o trâmite entre as fronteiras, intercâmbio cultural firmado entre universidades fomentando oportunidades que ultrapassam o aprendizado da língua, possibilitando contato direto com a cultura local, integraram a pauta das iniciativas de maior aproximação sino-brasileiro entre outras tantas vertentes.

A relevância desta comitiva ultrapassa os resultados exitosos mencionados acima ou as intenções a serem postas em prática. A junção de forças dos dois maiores países em desenvolvimento do mundo gera incômodos pela ameaça que causam em relação a não adesão ou não cumprimento de iniciativas já em percurso, vide Alca, assim como aquelas a serem ainda apresentadas.
Para ilustrar a temerosidade em relação ao estreitamento das alianças entre Brasil-China, foi anunciado pelo porta-voz da chancelaria chinesa, Liu Jianchao, que "a China considera o Brasil o país em desenvolvimento maior e mais importante do Hemisfério Ocidental e apóia um maior papel do Brasil nos organismos internacionais, incluindo o Conselho de Segurança".

Esse apoio para o ocidente em relação especificamente ao Brasil, parece estar incrustado há tempos na concepção dos chineses. Coincidência ou não, uma das possíveis traduções de ??Baxi (Brasil em chinês, aqui na China adota-se sons similares ao nome da palavra a ser traduzida de modo que torne viável a pronúncia, lembrando a dificuldade enfrentada pelos chineses na reprodução do som “r” ) é justamente Olhar para o Ocidente.

É chegada a hora de ampliar esta visão e assim como os chineses, olhar, no caso para o Oriente de maneira mais próxima e menos mística. A China assim como qualquer outro país apresenta diferenças culturais. É preciso que se supere o mais rapidamente possível essa visão misteriosa e o temor ainda presente, adotando iniciativas empreendedoras e elevando substancialmente o desempenho das exportações brasileiras – ainda na casa dos 4 %.

Há 114 anos, Joaquim Osório Duque Estrada deixou para a posteridade hino que até hoje parece não ter sido completamente assimilado pela grande maioria dos brasileiros, analisando apenas um dos espectros da atuação brasileira e frente a concatenação do imenso potencial a partir do estreitamento da aliança Sul-Sul, é necessário ter em mente que o Brasil é:

“Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso e o teu futuro espelha essa grandeza”.

 
 

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