Desapareceu
nos últimos 50 anos a velhinha “Europa”, a milenar
senhora está desaparecida da vida e das preocupações
da generalidade dos portugueses.
A maioria dos portugueses sente-se “não muito bem“
ou “nada” informada acerca do alargamento. 73 por cento dão
a mesma resposta em relação ao Euro e não mostram
qualquer interesse no futuro da Europa. Este é o resultado de um
Eurobarómetro especial, realizado pela Comissão Europeia
junto de 16 mil pessoas entre 5 de Março e 24 de Abril, dedicado
ao alargamento, o Euro e o futuro da Europa. A esmagadora maioria dos
portugueses não consegue identificar qualquer país candidato
à adesão à UE, não tem opinião sobre
quais os países que deveriam aceder primeiro, nem quais os países
que não deveriam aceder. No entanto, 84 por cento considera que
a UE deveria ser alargada num futuro próximo.
Mas afinal onde pára
a Europa? Numa época em que as questões europeias chegam
a nossa casa por todos os lados, os portugueses ainda questionam a sua
utilidade, se tivermos em conta que as eleições para o Parlamento
europeu estão para breve, é legítimo questionar qual
o grau de capacidade que grande parte do eleitorado português tem
para decidir sobre essa matéria.
A Europa não
existe na minha freguesia, e pergunto-me se existirá mesmo no meu
país. A integração europeia das populações
locais é um grande desafio que deve ser assumido pelos responsáveis
nesta matéria. A habilitação e qualificação
das populações para os assuntos europeus, não só
enriquece a qualidade das mesmas como legítima, através
de um voto consciente, as decisões tomadas.
O alargamento traz
consigo uma oportunidade única para as empresas portuguesas que
verão alargado como nunca antes os seus mercados.
No plano do investimento
directo no estrangeiro, o alargamento apresenta um grande potencial de
atractividade devido a factores de especialização de mão-de-obra
e de mercado. É necessário e urgente explicar isso aos investidores
e à população portuguesa em geral.
A criação
de uma cidadania realmente europeia deve ser o esforço último
da integração, para que afinal não sejam apenas europeus
os membros das elites intelectuais, mas antes os portugueses no seu todo,
o cidadão comum, aquele mesmo que veste o fato de treino ao Domingo
e discute o jogo do Benfica no café, a Europa deve alcançar
também este plano, deve entrar na vida comum do cidadão
português, na sua preocupação quotidiana.
Para que tal aconteça,
é necessária uma consciencialização eficiente
das populações, uma entrada manifesta nas suas vidas, uma
Europa que procure os Europeus que a compõem. Para desempenhar
esta função crucial, não obstante os inúmeros
esforços efectuados por muitos organismos competentes na matéria,
as Universidades que se dedicam ao estudo e tratamento destes assuntos,
devem realizar esforços junto das populações no intuito
de veicular o seu saber, através de estratégias bem delineadas
e eficientes, com vista a uma crescente aproximação das
populações para os assuntos europeus.
A velha senhora que
assume para breve novos desafios, nomeadamente através do seu maior
alargamento de sempre e pelos esforços desenvolvidos no sentido
de munir a união de um braço forte de defesa militar, capaz
de a proteger dos atentados terroristas que afinal não eram assim
tão infundados, bem como libertá-la ao mesmo tempo da esfera
de influência norte-americana sob a égide da OTAN, deve chegar
ao conhecimento de todos, não para que um dia o cidadão
se sinta exclusivamente europeu, mas antes para que para além de
português o cidadão se sinta também europeu e nacional
dos Estados Unidos da Europa.
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