| Na
actualidade a realidade económica e social da Comunidade Internacional
colocam em evidência aspectos consideráveis das leis básicas
da sobrevivência revistas nos princípios defendidos por Thomas
Malthus.
A sua visão
sobre o futuro da humanidade reflecte-se de uma forma ou de outra nos
mais diversos aspectos do quotidiano, nos acontecimentos mais recentes
com impacto global.
Não me vou
limitar obviamente ao princípio mais elementar da teoria de Malthus
de que a produção de meios de subsistência pode ser
consideravelmente inferior ao acentuado crescimento da população.
Este é apenas
um ponto de partida para o retrocesso que eu prefiro chamar desenvolvimento
desajustado e incompatível com os recursos que a natureza nos oferece.
Obviamente que se
deram importantes progressos no campo da ciência que nos permitem
produzir alimentos em larga escala, travar epidemias e melhorar as condições
de vida, o que acontece é que os recursos não são
distribuídos eficazmente, culpa das assimetrias existentes consequência
das más gestões políticas num mundo cada vez mais
complexo e desequilibrado.
Vejamos que os problemas
como a fome, a desnutrição, as epidemias e as guerras deixaram
de afectar somente os países do terceiro mundo ou em vias de desenvolvimento.
Os países desenvolvidos por exemplo ao receberem imigrantes, ao
entrarem em situações de crise económica e consequente
desemprego herdam estes problemas. A forma de controlar esta situação
é cada vez mais complexa e acentuada pelo fenómeno crescente
e irreversível da globalização. Os problemas de uns
tornaram-se nos problemas de todos.
A globalização
obtém o reverso da medalha quando existem países que se
acomodam ás normas das organizações a que pertencem
e deixam de produzir, deixam de ser competitivos e de serem auto-suficientes
em áreas elementares. É claro que não podemos sobreviver
sozinhos num mundo cada vez mais competitivo, mas podemos optar por uma
via de proteccionismo cauteloso sem deixar de competir no mercado internacional.
Tal como os neomalthusianos
e ecomalthusianos defendo assim um desenvolvimento sustentado, equilibrado
e com algum proteccionismo alimentado pela produção de subsistência
e a produção competitiva. Enquanto não nos consciencializarmos
de que os recursos naturais não são fontes inesgotáveis,
que não basta equilibrar o crescimento da população
através do planeamento familiar ou das epidemias, guerras e catástrofes
naturais, e que enquanto existir uma minoria que se apodera e controla
a maior parte dos recursos, que não sabe ou não quer distribui-los,
que não sabe como os compensar, preservar ou equacionar alternativas
temos o mundo em perigo. Os recursos nunca vão ser suficientes
para a humanidade como podemos ver no lado mais perverso da teoria Malthusiana. |