A Teoria de Malthus e a Actualidade
Abril 2005
Sílvia Duarte Silva Araújo
Licenciada em Relações Interncionais
 

Na actualidade a realidade económica e social da Comunidade Internacional colocam em evidência aspectos consideráveis das leis básicas da sobrevivência revistas nos princípios defendidos por Thomas Malthus.

A sua visão sobre o futuro da humanidade reflecte-se de uma forma ou de outra nos mais diversos aspectos do quotidiano, nos acontecimentos mais recentes com impacto global.

Não me vou limitar obviamente ao princípio mais elementar da teoria de Malthus de que a produção de meios de subsistência pode ser consideravelmente inferior ao acentuado crescimento da população.

Este é apenas um ponto de partida para o retrocesso que eu prefiro chamar desenvolvimento desajustado e incompatível com os recursos que a natureza nos oferece.

Obviamente que se deram importantes progressos no campo da ciência que nos permitem produzir alimentos em larga escala, travar epidemias e melhorar as condições de vida, o que acontece é que os recursos não são distribuídos eficazmente, culpa das assimetrias existentes consequência das más gestões políticas num mundo cada vez mais complexo e desequilibrado.

Vejamos que os problemas como a fome, a desnutrição, as epidemias e as guerras deixaram de afectar somente os países do terceiro mundo ou em vias de desenvolvimento. Os países desenvolvidos por exemplo ao receberem imigrantes, ao entrarem em situações de crise económica e consequente desemprego herdam estes problemas. A forma de controlar esta situação é cada vez mais complexa e acentuada pelo fenómeno crescente e irreversível da globalização. Os problemas de uns tornaram-se nos problemas de todos.

A globalização obtém o reverso da medalha quando existem países que se acomodam ás normas das organizações a que pertencem e deixam de produzir, deixam de ser competitivos e de serem auto-suficientes em áreas elementares. É claro que não podemos sobreviver sozinhos num mundo cada vez mais competitivo, mas podemos optar por uma via de proteccionismo cauteloso sem deixar de competir no mercado internacional.

Tal como os neomalthusianos e ecomalthusianos defendo assim um desenvolvimento sustentado, equilibrado e com algum proteccionismo alimentado pela produção de subsistência e a produção competitiva. Enquanto não nos consciencializarmos de que os recursos naturais não são fontes inesgotáveis, que não basta equilibrar o crescimento da população através do planeamento familiar ou das epidemias, guerras e catástrofes naturais, e que enquanto existir uma minoria que se apodera e controla a maior parte dos recursos, que não sabe ou não quer distribui-los, que não sabe como os compensar, preservar ou equacionar alternativas temos o mundo em perigo. Os recursos nunca vão ser suficientes para a humanidade como podemos ver no lado mais perverso da teoria Malthusiana.